A NÓS (Novo Outdoor Social) aponta Coca-Cola, O Boticário e Omo como as marcas mais fortes nas favelas brasileiras, no ranking Brand Fans, que mede a força das marcas no cotidiano das comunidades.
Cabeça, casa e conversa: o índice mede três coisas ao mesmo tempo
O ranking Brand Fans, da NÓS • Novo Outdoor Social, coloca Coca-Cola, O Boticário e Omo nas três primeiras posições, com Nestlé e Tigre fechando o top 5. O que dá peso à lista não é a ordem, é a régua: o índice cruza três pilares, a cabeça, que mede se a marca é lembrada, a casa, que mede se ela é de fato comprada, e a conversa, que mede se ela é defendida na indicação, pelo NPS.
Separados, esses indicadores enganam. Lembrança alta pode ser apenas reflexo de verba de mídia. Compra alta pode ser apenas reflexo de boa distribuição. Recomendação alta sem as outras duas descreve um produto bom que quase ninguém conhece. É o cruzamento que separa marca conhecida de marca escolhida.
Vencem as marcas estruturais, não as aspiracionais
A leitura que a NÓS faz do próprio ranking é que as marcas mais amadas dentro das comunidades não são as que constroem desejo distante, e sim as que ocupam o cotidiano com consistência. Refrigerante, sabão em pó, cosmético, alimento e tubo de construção formam o retrato de uma casa que se sustenta, se cuida e se constrói ao mesmo tempo.
Isso derruba dois clichês de uma vez. O primeiro é o de que o território compra só por preço, já que nenhuma das cinco disputa o menor valor da prateleira. O segundo é o de que a favela consome aspiração, quando o que o dado mostra é preferência por marca que não falha, porque errar a compra em orçamento apertado custa o mês inteiro.
O que isso muda para as marcas
O mercado em questão movimenta entre R$ 167 bilhões e R$ 300 bilhões por ano, valor comparável ao PIB de vários estados brasileiros. Nenhuma empresa deixa de fora uma praça desse tamanho por decisão consciente. Deixa por falta de dado, e por tratar presença no território como pauta de projeto em vez de linha de mídia.
Na prática, o índice funciona como diagnóstico de onde investir. Cabeça alta com casa baixa é problema de disponibilidade no comércio de bairro. Casa alta com conversa baixa é problema de experiência, e sinaliza consumo por falta de opção. Conversa alta com cabeça baixa é o caso mais barato de resolver, porque o produto já convence e falta comunicação. Cada diagnóstico aponta para uma verba diferente. Veja como isso vira resultado nos cases com marcas no território, conheça a história da NÓS e acompanhe a cobertura de Cannes 2026.
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