A indústria de materiais de construção fechou o primeiro semestre de 2026 com faturamento 3,4% menor, e a Abramat reduziu para 0,5% a projeção de crescimento do ano. Nas favelas, a obra continua, só que em etapas, ajustada à inflação dos insumos e ao endividamento das famílias. É o que mostra a nova leitura do Tracking das Favelas, estudo contínuo da NÓS • Novo Outdoor Social publicada pelo Mercado&Consumo: cinco marcas lideram a lembrança e o uso em tubos, tintas, cimento e louças, mas só duas transformam mais de 40% dos seus compradores em preferência declarada.
Duas marcas convertem compra em preferência
Em tubos e conexões, a Tigre registra 62,9% de lembrança, 44,4% de compra e 32,5% de intenção de compra, e converte 54,5% de quem compra em preferência, com NPS de 74%. Nas tintas, a Coral converte 42,4% dos compradores e lidera em intenção de compra (28,2%) e preferência (15,7%), à frente da Suvinil (24,5% e 12,5%), que por sua vez tem o NPS mais alto entre os consumidores ativos, 73% contra 69%. Nas demais marcas medidas, a taxa de conversão de compra em preferência fica abaixo de 27%: a Votorantim tem 31,7% de lembrança e 15,7% de compra em cimento, mas chega a 8,1% de intenção e 4,2% de preferência; a Deca, em louças e revestimentos, soma 31,5% de lembrança e 18,8% de compra, com 8,6% de intenção e 3,9% de preferência.
A favela tem ranking próprio em tintas
A Suvinil lidera há anos o Top of Mind nacional em tintas. Entre os moradores de favelas, em 2026 é a Coral que aparece na frente em intenção de compra e preferência. A diferença mostra que a favela decide com a própria régua: pragmatismo, orçamento e confiança, comprando em etapas no depósito do bairro, sem margem para errar. O NPS médio da categoria é alto, 64%, com participação de promotores entre 71,9% e 77,9%, o que significa que quem já é usado tende a ser recomendado. O gargalo está antes disso, na passagem da compra para a escolha declarada.
O que isso muda para as marcas
Com o mercado nacional encolhendo, a favela é onde a obra segue acontecendo, e uma marca de construção que quer crescer em 2026 precisa medir o funil inteiro ali, da lembrança à preferência. A leitura para a segunda-feira: descobrir em que etapa o funil da marca trava no território, porque a maioria perde entre a compra e a preferência, e levar a comunicação para o ponto onde a decisão acontece, na loja de material, no muro da rua, na tela do comércio e na indicação do pedreiro. Quem já está na obra tem o primeiro passo dado; o trabalho é transformar a compra pontual em preferência duradoura, com presença contínua em vez de campanha isolada.
A preferência do consumidor de favela em materiais de construção está em aberto para quem entrar no território com dado e presença. O Tracking das Favelas faz parte das soluções de pesquisa e mídia da NÓS, e os cases de marcas que já trabalham nas favelas mostram o resultado quando a comunicação chega até o ponto de compra. Outras leituras da imprensa sobre o estudo estão na nossa área NÓS na Mídia.

